31 de outubro de 2018

Ao agridoce Jonghyun

Escrever um texto sobre o Jonghyun sem pisar em ovos é bem difícil. Escrever um texto pra enaltecer o trabalho do Jonghyun sem cair na cilada de colocar o mérito desse trabalho no lugar errado é mais difícil ainda. Jonghyun é dono de dois dos CDs que eu mais tenho escutado esse ano: The collection "Story OP.1" e The collection "Story OP.2". Digo dono porque ele escreveu tudo e "se meteu" em tudo em relação a esses trabalhos, coisa que uma pessoa desinformada não espera de um artista vindo do K-pop. As letras do Jongas falam sobre amor, sobre sair com os amigos e relembrar momentos, sobre passar o dia todo deitado no quarto sem pensar em nada, sobre uma flor... Mas todas em algum momento se voltam para dentro, para as lutas internas que ele tinha com a sua própria memória, com a sua forma de ver o mundo, de ver a si mesmo e de como ele achava que devia/queria ser visto pelos outros. E todas essas letras foram trabalhadas em melodias que conduzem quem está ouvindo a prestar atenção, mesmo não entendendo um A em coreano. Esses dois trabalhos me deixam de queixo caído, feliz e triste: vida agridoce. São de uma sensibilidade que deixam aquela sensação de urgência, quando você sente falta de tudo e de nada. Ao mesmo tempo em que são conforto, são outdoors em neon de tudo que se anseia, que se falta... Jongas era um puta artista, um puta compositor, um puta cantor que não pisava no palco... ele engolia o palco. Ele sabia expressar musicalmente todo o universo dentro dele. Sabia fazer o ouvinte se sentir bem-vindo nesse universo, quase como se convidasse o ouvinte para um chá enquanto mostrava sua coleção de discos e livros. A visão do universo Jonghyun é linda, cativante, suave em meio ao caos, brilhante em meio à própria escuridão. Jongas, “você trabalhou duro. Você fez um bom trabalho.”








Obrigada, @lunadramaland por me incentivar e por revisar o texto ♥








12 de janeiro de 2016

Não há mais história aqui para ser contada.
Não há verso e não há rima.
Chegamos ao fim da estrada.

Nos despedimos do nó na garganta
e das lagrimas que nunca foram secadas.

Não há mais pelo que sofrer ou se alegrar.
Podemos como Ismália* pender as asas e voar.

E finalmente, abandonar essas esperanças que mais corroem que alimentam.







       ****                                                             Ismália
(Alphonsus de Guimaraens)

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...







13 de outubro de 2015

Eu vi o tempo se distanciar enquanto me iludia.
Eu vi minha máscara a debochar da minha falsa alegria.

Vi o fim da estrada,
Vi tantos olhos e todos estavam cheios d'água.

Eu vi o tempo zombar enquanto a vida em mim se esvaía.

Eu vi o tempo se desfazer quando a arte do lembrar já não me pertencia.








"Leva o que eu nem sou e fui muito mais da boca pra dentro..."
Jay Vaquer - Quase linda história de amor 



25 de julho de 2015

...

Mais um dia.
Outra aurora.
Nova hora.
E lá vem ela, sorrateira.
Enquanto a dor que causa incendeia.
Não me resta muito.
E me falta tudo,
Um tudo que não vem.
Um tudo que não há.  
Tento dormir tudo que poso.
Tento sonhar tudo que quero.
Para que possa passar por todas estas horas mortas.
Tento não sufocar com o pranto
Tento salvar o que me resta de qualquer encanto.
Que me faça aguentar e ao fim da longa estrada chegar.



6 de maio de 2015

Em frente

Tenho toda a vida pela frente
até que ela acabe em uma esquina,
em um ruela deserta.
em uma rua sem saída. 

Tenho toda a vida pela frente
até que ela me seja tirada
por um desvio na estrada ou uma emboscada.

Toda a vida que tenho segue em frente
para as certezas incertas,
à espera de qualquer passo em falso.

"Segue a nossa procissão..."
Jay Vaquer - Quase linda história de amor



5 de maio de 2015

Futuro passado

Um dia você estará ouvindo AM.
As paixões terão passado.
As ilusões se esgotado.
Os desejos se dissipado. 

Você estará fraco demais para ter qualquer memória,
esquecendo demais para poder contar qualquer história,
sem tempo a mais para qualquer agora.

Um dia você não ouvirá mais nada,
não haverá estrada
e nem mesmo a pessoa amada. 

Um dia seu futuro será passado. 
O radio estará desligado.
Seus olhos, para sempre, fechados.


"Não quis o Tempo desistir de seguir seguindo em frente."
Jay Vaquer - Se é que sonhei (aquele sonho esquizo)



23 de abril de 2015

Estranhamente feliz.
Entre silêncios, livros não lidos,
entre paisagens vazias, manhãs frias.
Solidão e aurora,
mundo afora,
vida adentro.
Estranha a mente o quanto fiz.